1a etapa
Saída de São Paulo até Foz do Iguaçu
Quarta feira, 21 de fevereiro às 15 horas, com o
odômetro do carro marcando 107.000 kms e um calor de 30 graus partimos
pela avenida Sumaré, avistando nosso apartamento, deixando para
trás uma vida de stress, próprio de quem vive em uma cidade
grande, para realizarmos um antigo desejo: ir de carro ao Alaska.
Precisávamos naquele instante sair urgentemente de São Paulo
e parar em algum lugar para colocar a cabeça no lugar e tomar definitivamente
consciência da nova jornada que estávamos embarcando. Resolvemos
parar em Campanha, uma cidadezinha de Minas Gerais onde poderíamos
contar com o apoio de uma amiga para falar sobre a "loucura"
que estávamos fazendo. Fomos muito bem recepcionados e pudemos
falar e ouvir bastante. Por coincidência, naquela noite jantamos
na "Cantina do Helio". No dia seguinte, sem pressa alguma, fomos
em direção à São Tomé das Letras, onde
almoçamos e depois seguimos para Belo Horizonte, onde permanecemos
por 15 dias.
Chegando em Belo Horizonte toda correria começou a tomar conta
de nós outra vez. Às vezes até ficamos pensando se
todas estas atribulações não faziam parte de um processo
de tentar esquecer um pouco o que vinha pela frente. Se era, de nada adiantou,
pois encontramos com vários amigos que de nada sabiam e tivemos
que contar toda nossa trajetória, nos lembrando a toda hora o que
nos esperava pela frente.
Revimos muitos amigos que ficaram perdidos por longos 13 anos de ausência
em Belo Horizonte. Fizemos várias "despedidas", embora
nem de longe quiséssemos chamar desta forma. Era muito pesado,
pois afinal de contas vamos, mas com certeza voltaremos para contar histórias
e mais histórias.
Finalmente chegou o grande dia da partida, não queríamos
muitas emoções mas não tem jeito elas sempre acontecem.
O que nos ajudou um pouco foi que fomos entrevistados por uma emissora
de televisão local e isso nos fez atrasar um pouco nossa saída
mas depois saímos correndo, pois precisávamos estar em São
Paulo no dia seguinte bem cedo, para algumas burocracias finais.
Chegar em São Paulo sem ter onde ficar e procurar um hotel uma
hora da manhã foi uma sensação muito estranha. Ficamos
num hotelzinho e no dia seguinte acordamos cedo para conseguir fazer tudo
que precisávamos. Lógico que muitas coisas aconteceram:
tivemos problemas com o seguro, mas conseguimos resolver a duras penas,
pois descobrimos que a seguradora não havia feito a cobertura como
precisávamos. Erros a parte tudo se resolveu mas estávamos
no centro da cidade com uma chuva torrencial que deixava a cidade um caos.
Ligamos para alguns amigos e despedimos novamente por telefone, não
vimos nem falamos com todos, mas precisávamos fugir imediatamente
daquela loucura que não queríamos viver.
Debaixo de muita chuva pegamos a estrada e fomos parar em Avaré
para no dia seguinte chegarmos em Campo Mourão, já no Paraná.
Chegamos finalmente a Foz do Iguaçu e resolvemos conhecer as Cataratas
e claro, Ciudad del Leste.
No dia que chegamos fomos tentar fazer umas "comprinhas" no
Paraguai, mas realmente foi impossível. O calor era insuportável
e a confusão, idem. Cruzamos para lá de ônibus e para
cá atravessamos a ponte a pé porque o trânsito simplesmente
estava parado. Quando conseguimos pegar o ônibus, já no lado
brasileiro, vimos o que todo mundo que já está acostumado
a passar por aquelas bandas já viu: um contrabandista contratado
para passar mercadorias. Ele simplesmente passava com placas de computadores
presas debaixo dos assentos dos bancos e sem o menor constrangimento pedia
licença para retirá-las.
No dia seguinte não poderíamos deixar de conhecer as Cataratas
do Iguaçu, que são lindíssimas e que conta com uma
super infra estrutura para recepcionar turistas do mundo todo sem deixar
nada a dever aos países de primeiro mundo.
Enfim, no outro dia deixávamos o Brasil com o coração
bem pequenininho mas com a certeza de que tudo isto teria uma recompensa
na volta. Na fronteira Brasil / Argentina o odômetro marcava 110.110
kms.
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