A
Preparação
Da dúvida ao
embarque
No início de 1998 começamos a pensar nas férias
que seriam em julho e algumas dúvidas surgiram. O
que fazer? Para onde ir?
Entre
dezembro de 1996 e janeiro de 1997 viajamos para a
Índia, Nepal, Tailândia e Hong Kong e para esta
nova viagem queríamos algo diferente.
Conversando
com um amigo (Paul) ele nos contou sobre a viagem
que ele e sua mulher haviam feito ao sul da África.
Lá eles tinham alugado um carro, que vinha com
material para camping, e visitado diversos parques
nacionais.
Pronto!
Decisão tomada. África do Sul, Zimbabwe, Botswana
e Namíbia. Nossa primeira providência foi
pesquisar a cultura destes países, procurando saber
as dificuldades e facilidades de cada lugar, a língua
falada, moeda, vacinas que deveríamos tomar. Para
isso visitamos consulados, ligamos para Embaixadas,
conversamos com quem já havia viajado para lá,
procuramos sites na Internet para buscar aluguel de
carro e sugestões de lugares a serem visitados,
procuramos as companhias aéreas para saber sobre vôos
e seus preços. Aqui cabe um parêntese: Todas a
viagens que fizemos até hoje foram feitas desta
forma, ou seja, pesquisamos, perguntamos, buscamos
informações nos mais variados lugares e também a
melhor e mais barata forma de viajar. Que nos
desculpem as agências de viagens, mas nunca nos
utilizamos nenhuma delas para nos ajudar. Não somos
contra as agências e nem contra as pessoas que
delas se utilizam. Nós preferimos assim. Se é mais
caro ou barato, se é mais difícil ou mais fácil,
não sabemos, mas é este jeito de viajar que nos
agrada.
Agora
voltando ao que interessa.
As informações começaram a chegar de forma
consistente e logo tínhamos muito papel, mapas,
dicas, etc, etc, etc, para tomar decisão final.
Decidimos começar a viagem no dia 30 de junho
coincidindo com o início das férias escolares da
África do Sul e também com o inverno que torna as
temperaturas daquele lado do mundo mais amenas. Não
é preciso falar sobre a África no verão.
Tudo
que tínhamos nas mãos nos mostrava que a Namíbia
era um país muito bonito e realmente uma terra de
contrastes. Colonizada por alemães, a arquitetura
de diversas cidades é cópia fiel dos prédios e
casas da Alemanha. Além disso, o sol brilha, em média,
300 dias por ano. As famosas dunas de areias de
Sossusvlei, a Costa do Esqueleto e o Fish River
Canyon com suas pinturas rupestres e esculturas de
pedras prometiam uma viagem excitante e ainda poderíamos
encontrar o Rinoceronte negro e o Elefante do
Deserto.
Já
em Botswana, o grande destino era o Delta do Rio
Okavango e o Chobe National Park que são
provavelmente os locais mais visitados deste país.
O país foi protetorado inglês até sua independência
em 1966. Num grande golpe de azar da Inglaterra,
logo após a independência foram descobertas três
das maiores minas de diamantes do mundo. Com isso o
país, hoje, desfruta de relativa estabilidade política
e econômica.
O
Zimbabwe era, naquela época, é um país
relativamente seguro para viajar, mas a corrupção
e os partidos de oposição sempre trazem preocupações.
A reforma agrária colocou empregados negros e
fazendeiros brancos em lados opostos e com isso
algumas invasões ocorrem e sempre são violentas.
Mesmo assim a visita a Victoria Falls, ao Rio
Zambezi e o Hwange National Park eram destinos
obrigatórios.
A
África do Sul dispensa muitos comentários já que
está sempre na mídia, principalmente pela luta de
Nelson Mandela, pelo otimismo com o fim do Apartheid
e com a busca por uma nova sociedade mais justa e
digna para todos. Apesar de não ser um país com
muita vida selvagem para se ver, com exceção do
Kruger National Park, é um país que, para nós
brasileiros, é um bom destino para início da
viagem.
Assim,
depois de muita troca de e-mails decidimos alugar o
carro na Buffalo Campers (ao final do texto vocês
encontrarão os endereços dos sites e outras
informações).
Esta
pequena empresa tem apenas cinco carros para alugar
e os carros já vêm com os equipamentos básicos
para camping. Isto inclui uma barraca de lona
grossa, um fogareiro de uma boca, um botijão de gás
de 5 quilos, dois sacos de dormir, pratos e talheres
para duas pessoas e ainda uma geladeira (cooler) de
12 volts. Para não ter problemas com a bateria esta
geladeira só funcionava com o carro ligado. Nossa
primeira opção de carro foi um Toyota Land Cruiser
Diesel, mas por atraso na resposta, quando pedimos o
carro, ele não estava mais disponível. Ficamos com
um Toyota Venture (no Brasil não temos este carro),
a gasolina, que tinha bloqueio de diferencial, que
se mostrou eficiente, econômico e silencioso. O
fato de ser silencioso ajuda quando procuramos os
animais. Se fizer muito barulho eles fogem.
Decidimos
que faríamos um círculo, no sentido anti-horário
saindo de Johanesburg, indo em direção ao
Zimbabwe, depois Botswana, entrando na Namíbia pelo
Norte e voltando a Johanesburg. Depois iríamos de
trem até a Cidade do Cabo. Na verdade deveríamos
pegar o carro em Randburg, um subúrbio próximo à
capital, mas longe o suficiente das loucuras de
cidade grande. Já tínhamos sido avisados dos
perigos de Johanesburg e por sugestão da Ângela,
dona da empresa de aluguel de carros, ficamos numa
pousada também em Randburg.
Passagem
comprada, carro alugado, roteiros definidos, roupas
(poucas) dentro das mochilas, pé na estrada.
Vamos
ver o que a África tem.
A
Viagem
África do Sul
No
início da noite da terça feira, 30 de junho de
1998, tomamos um táxi até o aeroporto de Guarulhos
para finalmente embarcarmos para nossa próxima
aventura. Uma certa ansiedade tomou conta dos dois,
afinal era mais uma viagem ao desconhecido, ao novo.
Não sabíamos o que iríamos encontrar e sempre
fica uma pequena dúvida se não havíamos esquecido
de nada. Tudo
bem. Nada a fazer agora, a não ser relaxar e
aproveitar.
Nosso
vôo saiu sem atraso e em menos de nove horas, às
12:20hs, horário local, chegamos no aeroporto de
Johanesburg. Logo na saída, depois dos rápidos trâmites
alfandegários, nos encontramos com o George, dono
da pousada Fleet Guest House em Randburg. Muito simpático,
cara de alemão (não só cara), nos levou até seu
carro no estacionamento do aeroporto e lá
vimos as primeiras diferenças. Primeiro que
no sul da África a mão de direção é inglesa e
tudo parece estar na contra-mão. Depois a estranha
sensação de sentar no banco de passageiros onde
habitualmente sentamos para dirigir. Pegamos a
autopista e em pouco tempo chegamos à pousada.
Ficamos impressionados com a beleza e a tranqüilidade
do lugar. Na verdade é uma grande casa pintada de
branco, cercada de belos jardins, quartos imensos,
uma sala muito bem decorada, com uma lareira e
diversas poltronas confortáveis, onde os hóspedes
aproveitam para se conhecerem.
Depois
de um pequeno descanso para colocar o corpo em ordem
e acertar o fuso horário, resolvemos tomar uma
cerveja na varanda da pousada e, com este gesto,
dar início oficial à viagem. Afinal ninguém
é de ferro.
Fomos
convidados para jantar por um indiano que estava lá
hospedado e fomos até o Waterfront. Lá tem
diversos restaurantes, pubs e muita diversão.
Passeamos um pouco, mais algumas cervejas, jantamos
e logo baixou um cansaço grande. Voltamos para a
pousada para uma merecida noite de sono.
No
dia seguinte, bem cedo, depois de um belo café da
manhã, encontramos com o marido da Ângela que nos
levou até o sítio onde moravam para nos entregar o
carro. Depois de algumas informações sobre o
funcionamento do carro, seus equipamentos, alguns
mapas e dicas, assumimos o controle. Agora era hora
de sentar no lado errado, dirigir pelo lado errado
da estrada, fazer conversões contrárias, enfim
tudo ao contrário. Tudo bem, na primeira curva a
roda esquerda raspou na calçada, mas lá fomos nós.
Até que foi fácil a adaptação.
Abastecemos
o carro, paramos num super mercado, fizemos algumas
compras, principalmente água e seguimos direto para
a cidade de Louis Trichardt, perto da fronteira com
o Zimbabwe. Pegamos uma estrada em ótimas condições,
inclusive pagamos pedágio e chegamos lá no final
da tarde. Achamos o camping municipal, que tinha boa
infra-estrutura e montamos nosso primeiro
acampamento. O tempo estava muito bom, com pouco
calor, mas à noite e madrugada fez um frio insuportável.
Fizemos nosso jantar e experimentamos um dos bons
vinhos que a África do Sul produz. Depois das anotações
do que havia acontecido naquele dia, planejamos a
etapa do dia seguinte e fomos dormir. Naquele
instante já estávamos mais confiantes de que tudo
daria certo.
Com
uma noite bem dormida, apesar do frio intenso,
desmontamos o acampamento e partimos em direção à
fronteira do Zimbabwe. No caminho passamos por um
grande Baobá, árvore muito comum nesta região com
a sua casca muito macia e formas estranhas. Assim,
depois de 530 kms desde Randburg chegamos a Messina
e nos preparamos para a nova etapa.
O Zimbabwe
Saímos
da África do Sul de forma rápida e tranqüila e
nos dirigimos à outra fronteira. Quando chegamos à
ponte que divide os dois países fomos parados por
uma policial que começou a nos falar alguma coisa
em uma língua muito estranha. Acho que ela percebeu
nossa cara de desentendidos, pediu desculpas e começou
a falar em Inglês. Ela havia falado em Africaans, já
que viu o carro com placa de Johanesburg (placa BLV
931 GP) e achou que éramos de lá. Na verdade ela
nos alertava para o perigo de parar sobre a ponte
para supostos policiais. Nos mostrou duas ou três
pessoas que estavam sobre a ponte, vestidas com
uniformes e que mandavam os carros pararem sob o
pretexto de vistoria. Na verdade eram ladrões que
aproveitavam disso para assaltar viajantes. Ela
disse: - “Se algum deles pedir para vocês
pararem, não parem. Se algum deles entrar na frente
do carro, acelere e atropele, mas não pare. Só
pare depois da ponte, dentro do território do
Zimbabwe, onde tem policiais verdadeiros. Esta ponte
é terra de ninguém”.
Não
foi preciso repetir a recomendação. Atravessamos a
ponte em boa velocidade torcendo para que nenhum dos
falsos policial entrasse na frente.
A
imigração e alfândega do Zimbabwe são indescritíveis.
Uma confusão generalizada, gente por todo lado,
burocracia, papéis aos milhares para preencher,
pagar taxas, vistorias, carimbos, trocar dinheiro e
o pior: fecha para almoço. Quando estava quase tudo
resolvido todos os guichês foram fechados e os
funcionários foram almoçar. Tudo bem. Para quem já
estava ali há quase três horas, com o sol a pino,
esperar mais uma hora não seria grande problema.
Para pagar uma taxa tivemos que trocar dinheiro num
banco improvisado num velho trailer. Parecia
“maracutaia”, mas era um banco oficial.
Finalmente
reabriram os guichês, acabamos os trâmites e
pegamos a estrada. Seguimos por esta estrada, de
pista simples, mas muito bem pavimentada, até a
cidade de Bulawayo.
A cidade tem uma característica
interessante. Muitas ruas são bem arborizadas, mas
as árvores ficam depois das calçadas por sobre uma
larga faixa de terra até chegar ao asfalto ou calçamento.
Aqui era importante não ficar acampado, pois tinha
jogo do Brasil na Copa do Mundo e nos campings não
existiam televisões.
Achamos
uma pousada chamada Travellers Guest House, bonita e
organizada. Ao lado havia um restaurante muito bem
recomendado, mas que dependia de reservas para
jantar. Resolvemos tentar assim mesmo. No
estacionamento do restaurante nos chamou a atenção
o número de carros importados (Jaguar, Mercedes,
BMW, Audi). Pensamos: “Acho que entramos numa
roubada. Isto aqui deve ser caro pra caramba”.
Resolvemos arriscar assim mesmo e tivemos uma grata
surpresa. O restaurante tinha um serviço fantástico,
uma decoração lembrando muito New Orleans e o
melhor de tudo: os preços eram razoáveis. Na
verdade pagamos US$ 12.78 incluindo entrada, prato
principal, sobremesa e 2 cervejas.
Muito barato para os padrões do restaurante.
Sem contar que não estávamos
apropriadamenbte para um restaurante sofisticado
como aquele, mas isso foi apenas um detalhe.
Voltamos
à pousada e assistimos a vitória do Brasil contra
a Dinamarca por 3 x 2
ao lado de um casal de alemães que,
obviamente, torcia contra.
No dia seguinte seguimos para o Hwange
National Park e aproveitamos para comprar alguns
pequenos artesanatos na beira da estrada. Existem
diversos artesãos que trabalham muito bem com
madeira e pedra. Enquanto dirigíamos, vimos ao
longe duas figuras que vinham no meio da estrada.
Diminuímos a velocidade e descobrimos que eram dois
atletas paraplégicos que viajavam em cadeiras de
rodas buscando divulgar suas habilidades e pedindo
ajuda ou patrocínio. Contribuímos com uns poucos
Zimbabwe Dólares e seguimos viagem.
Chegando no Hwange Park montamos acampamento
e saímos para ver os animais.
Não
adianta querer ver animais durante o dia. Os
melhores horários são logo ao amanhecer, de preferência
ainda um pouco escuro, e no entardecer. São nestas
horas que eles vêem beber água e, alguns, caçar.
Por isso levantávamos muito cedo e aproveitávamos
as horas mais quentes do dia para deslocamento,
procurando chegar até o próximo ponto antes das
4:00hs da tarde. Logicamente que os animais não
desaparecem durante o dia, mas estarão sempre mais
quietos, buscando sombra, o que torna a missão de
achá-los mais complicada.
Em
todos estes países as estradas vicinais, que ficam
dentro dos parques, procuram passar bem perto do que
eles chamam de “buraco d’água”. Assim fica
mais fácil estacionar o carro e esperar que os
animais apareçam. É muito importante o silêncio
nesta hora. Deve-se desligar o carro e,
pacientemente, ficar ali sentado, câmeras em punho,
esperando o melhor momento. Qualquer movimento
brusco ou barulho excessivo é o suficiente para
afugentá-los. Esta é a vantagem do carro a
gasolina. Como seu motor é menos barulhento,
pode-se tentar uma aproximação com mais sucesso,
Vimos e fotografamos diversos elefantes, girafas,
hipopótamos e antílopes. Conseguimos ver um grupo
de leões que descansavam entre algumas árvores e não
muito longe identificamos uma carcaça de um filhote
de elefante. Nesta hora é que fica perigoso.
Algumas pessoas resolvem descer dos carros para um
melhor ângulo para a fotografia e normalmente são
surpreendidos por grandes animais que os atacam sem
piedade. Afinal, somos nós os intrusos.
Saindo
do Hwange fomos surpreendidos por uma manada de
elefantes que cruzava a estrada. Paramos e
desligamos o carro, enquanto um grande macho cruzava
a nossa frente como se estivesse checando o terreno
para o resto do grupo. Neste instante um casal em um
velho Land Rover parou ao nosso lado e também
esperou. Mas, subitamente, ele ligou o carro e
arrancou sem aviso. Nós estávamos com a janela
aberta, preparando algumas fotos e quando assustamos
este grande macho vinha em nossa direção, abanando
as orelhas e em posição muito ameaçadora. A Vera
estava ao volante e numa fração de segundos ligou
o carro, colocou primeira e arrancou em velocidade.
Imagine tudo isso com um carro com o volante do lado
contrário. Só deu tempo de tirar uma foto do
grandalhão e ver nossa bandeira do Brasil voar para
longe. Seguimos, então, em direção a Victoria
Falls, onde fica uma ponte que faz fronteira com a Zâmbia
e onde se pratica um dos mais altos Bungee Jumping
do mundo. A altura é incrível. Também é o local
de rafting espetacular pelo Rio Zambezi.
Victória
Falls impressiona pelo tamanho e volume d’água. São
diversas quedas que podem ser vistas de muitas posições.
Basta seguir as trilhas, bem sinalizadas e de fácil
acesso. O camping fica a poucos metros da entrada
principal do complexo e tem boas instalações. É
importante ressaltar que mesmo nos campings mais
precários, as instalações eram extremamente
limpas. Todos os banheiros, mesmo os mais simples em
que as paredes são de palha trançada, são limpos
e constantemente cuidados.
Depois
de algum tempo curtindo o Zimbabwe era hora de
cruzar fronteira com Botswana.
Botswana
Saímos
sem pressa do Zimbabwe, afinal os dias que passamos
ali foram tranqüilos e proveitosos. Aproveitamos
para gastar o que tínhamos de Zimbabwe Dólar
abastecendo o carro e comprando água.
Na
fronteira de Botswana uma surpresa. Tínhamos que
pagar uma taxa de alfândega que, dividindo por dólar
daria quase nada. E o pior: deveria ser na moeda do
país, o Pula. Esta fronteira que escolhemos ficava
numa estrada vicinal e não havia banco para troca
de dinheiro. Os guardas da fronteira simplesmente
fizeram todos os trâmites legais, carimbaram os
passaportes, colaram os selos, liberaram o carro,
nos devolveram toda a documentação e pediram que
trocássemos o dinheiro na cidade mais próxima e
voltar ali para pagar a pequena taxa. Nunca vimos
tanta demonstração de confiança.
Tudo
resolvido, com direito a enfrentar uma fila quilométrica
num banco, taxa paga, saímos em direção ao Kasane
Park. Desta vez resolvemos não acampar por dois
motivos. O primeiro porque era nosso aniversário de
casamento e queríamos este presente e em segundo
lugar o camping ficava a beira de um rio lotado de
crocodilos, de Suricates, pequenos animais que cavam
buracos e incomodam muito, e macacos que roubavam
tudo que viam pela frente. Achamos o Chobi Lodge que
ficava bem na entrada principal do parque e
conseguimos um chalé muito legal e por um preço ótimo.
Nestes
países africanos os animais ficam em parques, mas não
é um zoológico aberto, Na verdade estes parques
ocupam grandes extensões de terra, chegando,
algumas vezes, a mais de 300 km’s de largura e com
algumas áreas de camping definidas. Obviamente, que
para entrar nestes parques existem guaritas e as
estradas lá dentro são poucas e sem asfalto. Desta
forma, não adianta querer entrar ou sair sem passar
por locais previamente determinados. Isto é feito
para garantir a segurança de todos, animais e
visitantes.
Existem
algumas recomendações que devem ser seguidas à
risca parar quem está visitando os parques por
conta própria. Uma delas é não descer do carro
para fotografar ou mesmo para alguma necessidade
fisiológica. Em algumas regiões recomendam uma
sobrevivência mínima de cinco dias, ou seja, que
você tenha água, comida e combustível para
sobreviver cinco dias. Eles acreditam que neste
tempo alguém passará para te socorrer, caso necessário.
Outra recomendação é não sair das estradas e
tentar dirigir pelas savanas. Se ocorrer qualquer
problema com o carro ou se algum animal de grande
porte atacar, o socorro será muito mais difícil, já
que ninguém saberá onde está.
Vimos
uma Toyota capotada e com dois grandes furos na
lateral. Pelo que nos informaram, o motorista
arriscou e tentou passar mais rápido por uma manada
de elefantes que estava na lateral da estrada. O
carro foi atacado lateralmente por um macho. Por
sorte só tiveram prejuzos materiais e os
passageiros foram socorridos a tempo.
Bem,
depois que nos instalamos no chalé seguimos a
rotina do dia. Entramos no parque e procuramos os
animais. Encontramos com um pequeno caminhão com
alguns turistas e seguimos juntos por algumas horas.
Em certo instante vimos uns vinte ou trinta
elefantes (machos, fêmeas e filhotes) saindo do rio
e subindo em nossa direção. Paramos e desligamos o
carro e ficamos quietos. Em pouco tempo a manada nos
cercou e, com certa desconfiança, levantavam as
trombas com se nos cheirassem. Vendo que não havia
perigo, começaram o ritual de pegar terra com as
trombas e jogar nos corpos. Foi emocionante estar
ali vendo uma grande família e sua organização.
Os filhotes estavam sempre perto das mães, às
vezes, debaixo delas. Estas grandes fêmeas faziam
uma espécie de círculo, como forma de manter os
pequenos protegidos. Os machos ficavam a uma pequena
distância, talvez observando e cuidando do grupo. O
maior problema neste encontro foram os gases que
estes seres produzem e soltam. Dá pra imaginar o
barulhão de um “peido” de elefante? A vontade
de rir era grande, mas ficamos quietos até que eles
começaram a se distanciar do nosso carro.
Depois
deste encontro seguimos em frente e em certo momento
vimos um grande grupo de macacos em cima de árvores.
Eles estavam comendo uma semente de coco e faziam um
barulho estranho e muito alto.
No
entardecer paramos na beira de um rio para ver o
bonito pôr-do-sol e curtir o movimento dos animais
bebendo água. Voltamos para nosso chalé e começamos
a preparação da nossa festa de aniversário de
casamento, com os bons vinhos sul-africanos. Mas
isso é outra história.
Seguimos
nossa rotina de levantar cedo, ver os animais,
deslocamento ou simplesmente descansando nas horas
mais quentes, vendo mais animais à tarde, jantar.
Nesta parte de Botswana existem crocodilos e eles
costumam visitar as áreas de campings. Por isso
todo o cuidado é pouco, principalmente com restos
de comida. Aliás, isso vale para todos os campings,
nada de resto de comida por perto.
Depois
do Kasane seguimos para Nata e Maun. Encontramos
pelo caminho mulheres Herero, que se vestem de forma
antiga, com roupa muito colorida, turbante e que
detestam ser fotografadas, a não ser por uma boa
gorjeta. Vimos também as primeiras tribos dos
Bushman (lembram do filme “Os deuses devem estar
loucos”). Também conhecidos como San, eles falam
uma língua totalmente estranha que inclui cinco
diferentes estalos feitos com a língua. É muito
engraçado. Num certo instante estávamos ouvindo o
rádio do carro e tínhamos a impressão que era estática
ou alguma estação que não pegava direito. Depois
descobrimos que era uma entrevista falada nesta língua
chamada “xnosa”. Além disso, a constituição física
desta tribo é facilmente reconhecida. Basta ver um
para saber que é um San.
Certo
dia, indo em direção a Nata, estávamos dirigindo
rápido, pois era dia de jogo do Brasil, e tínhamos
que chegar a alguma cidade para achar uma televisão.
Na estrada fomos parados em uma barreira policial,
comum por estas bandas, para verificar a documentação
e checar se não éramos caçadores. Ao mostrar
nosso passaporte os guardas se mostraram
extremamente receptivos e começamos a discutir
sobre o Brasil na Copa do Mundo. Eles falavam do
empate com a Holanda, do gol do Ronaldinho de
penalty, e que o Brasil estava na final. Sem
entender o que acontecia, afirmamos que o jogo seria
nesta noite e este era o motivo da correria. Depois
de algum tempo descobrimos que trocamos a data e o
jogo tinha acontecido na noite anterior. Menos mal,
pelo menos o Brasil tinha ganhado. Seguimos felizes,
mas desapontados. Pelo entusiasmo dos policiais tinhámos
perdido um grande jogo.
Estes
postos de checagem às vezes assustam, pois, sem
nenhum aviso, uma “cancela” é atravessada na
estrada, junto com uma barraca de lona. Quando param
um carro, estes policiais chegam com cara de mau e
desconfiados. Mas ao checarem nossos passaportes,
todos, sem exceção, se tornavam gentis.
Em
Maun ficamos num camping ao lado de um rio seco. No
final da tarde fomos surpreendidos por uma fila de
crianças que atravessavam o leito do rio em direção
ao camping para buscar água. Eles deixavam um
rastro de poeira e quando se aproximaram de nossa
barraca começaram a cochicar e rir. Estavam
curiosos sobre nós e nós sobre eles. Não
conseguimos uma boa comunicação, já que falavam
em dialeto. À noite ouvimos o som de tambores que
vinha da aldeia destas crianças, do outro lado do
rio. Parecia uma festa. Quando o som dos tambores
cessou, começaram os sons da noite. Eram gritos das
hienas, rugido de leões e outros sons de tantos
animais estranhos, que ajudou a embalar nosso sono.
Para
sair de Botswana escolhemos o North Gate e dali
seguimos até Popa Falls, já na Namíbia.
E vamos nós enfrentar mais uma fronteira.
Namíbia
Para
sair de Botswana foi tranqüilo. Com a documentação
carimbada seguimos em direção a uma guarita
perdida no meio do nada. Era a fronteira da Namíbia.
Mais uma vez, foi só mostrar o passaporte
brasileiro e lá vinha o futebol. Todos adoram o
Brasil, e não só o futebol, mas também querem
saber da política, emprego, escolas e, óbvio,
mulheres. Um dos guardas alegou que o Brasil seria
campeão do mundo naquela copa porque o Pelé era
Ministro dos Esportes. Errou feio na previsão.
Depois
de tudo pronto veio um pedido. Estava ali na
fronteira um senhor com seu neto e que seguiriam até
uma aldeia a alguns quilômetros adiante. Mesmo
sendo contra nossos princípios resolvemos dar
carona, pois nos pareciam pessoas honestas. Entraram
pela porta de trás fazendo uma grande bagunça em
tudo que estava lá e seguimos em frente. O neto nos
explicou (ele falava Inglês) que eram da tribo dos
Bushman (não precisava falar) e que, como os
Bushman são coletores, eles normalmente têm
problemas nas fronteiras, afinal o que eles precisam
coletar para comer pode estar em qualquer lugar,
independente de fronteiras políticas. Uma saída
encontrada para os governos desta região foi
providenciar para eles um passaporte “multi-país”,
facilitando as idas e vindas de todos. Este rapaz
estava muito feliz, pois tinha acabado de completar
dezoito anos e recebido o passaporte definitivo. Seu
avô só falava aquela língua estralada e para nós
muito engraçada. Após alguns quilômetros o garoto
pediu para descer, mas recomendou que levássemos o
avô até a próxima aldeia. Tudo bem, desde que ele
não tentasse bater um papo com a gente. Mais uma
vez ouvimos barulhos estranhos e quando percebemos o
velho estava comendo todas as balas que tínhamos
comprado e que estava numa caixa no banco traseiro.
Adeus balinhas.
Quando
chegou na entrada do nosso camping, fizemos sinais
mostrando que ele deveria descer ali. O senhor, no
alto dos seus quase noventa anos, pegou uma sacola,
colocou nos ombros e saiu do carro andando
firmemente, parecendo uma pessoa muito mais jovem
Ficamos impressionados com sua agilidade Deve ter
sido efeito das balas.
Chegamos
em Popa Falls, na região do Caprivi e dali era possível
ver Angola, que faz fronteira com a Namíbia. Os
dois países são separados apenas pelo Rio
Okavango. Esta região é conhecida como um dos
locais com maior foco de malária do mundo. Montamos
acampamento e saímos para comprar algumas coisas.
Nos informaram na guarita de entrada do camping que
havia um shopping center muito perto dali. Shopping
Center? Em tempo: a guarita do camping havia pegado
fogo e o que sobrou foi somente uma mesa, no meio
dos escombros, onde o guarda-parque atendia as
pessoas.
Fomos
procurar o shopping e achamos: Shopping Center
Divundu.
Nada
mais era que um armazém cujos donos eram
portugueses e que vendiam de tudo: de tamanco a
agulha, de arroz a querosene, tecidos e lenha. O
verdadeiro armazém português. Foi engraçado
conversar com a dona de lá e
ouvir aquele sotaque característico. Fizemos nossas
compras e voltamos ao camping. Ali curtimos mais as
águas do que animais. Foi um bom lugar para
descansar.
De
Popa Falls seguimos para o Etosha Park e decidimos
ficar num camping chamado Namutomi. Tem excelente
infra-estrutura e ali experimentamos nosso primeiro
churrasco com carne de avestruz. Churrasco por aqui
é chamado de “Braai”. No caminho vimos
novamente diversos baobás e visitamos um que eles
consideram o maior do mundo. Outra coisa que nos
chamou a atenção foram as escolas para crianças
que ficam ao ar livre, debaixo de árvores frondosas
e com uma lousa improvisada.
Aproveitamos
nossa estada no Etosha e circulamos muito, vimos
mais animais diferentes, acordamos à noite com
rugido de leões, tentamos expulsar um chacal que
insistia em participar do nosso churrasco de
avestruz, tiramos fotos de hiena que estava bem ao
lado do carro e curtimos o silêncio.
A
final da Copa do Mundo estava chegando e decidimos
ir para Windhoek, capital da Namíbia, para assistir
o jogo. Chegamos lá, achamos um pequeno hotel com
televisão e saímos pela cidade para
reconhecimento. A cidade é muito bonita,
organizada, agitada, com prédios coloridos e trânsito
intenso.
Achamos
um Pub irlandês, O’Hagans, com boa comida,
cerveja gelada e muitas televisões. Perguntamos
sobre a final do campeonato e fomos informados que
estavam preparados para aquela noite. Voltamos à
pousada, descansamos um pouco e, faltando uma hora
para o início do jogo, fomos para lá. O bar já
estava cheio, com muitas bandeiras brasileiras e
francesas. Alguns usavam camisetas do Brasil com o número
nove nas costas. A sensação é que a metade do pub
torcia pelo Brasil e a outra torcia pela França.
Conseguimos um lugar e descobrimos que só nós dois
éramos brasileiros. Viramos notícia. Começamos a
conversar com um português e sua namorada alemã,
tomamos muitas cervejas e participamos daquela
derrota humilhante. Ninguém acreditava no que via,
nem os que torciam pela França. Ressaca moral.
Aproveitamos
mais algum tempo em Windhoek e nos preparamos para
mais uma etapa que seria cortar a Costa do Esqueleto
chegando ao Atlântico. Cruzamos este deserto
inclemente, mas muito bonito, até chegar à cidade
de Swakopmund, que parece um oásis no final da
estrada. A cidade é bem alemã, com muitos hotéis,
pousadas e restaurantes servindo frutos do mar. Por
aqui nada de grandes animais, a não ser alguns
pelicanos. Gastamos o tempo visitando a cidade de
Wavis Bays, vimos uma grande empresa que extrai sal
marinho, que é totalmente cor-de-rosa, muitas
caminhadas e, novamente, preparação para mais uma
etapa complicada.
Saímos de Swakopmund e seguimos em direção
a Fish River. Esta parte da viagem seria somente por
estradas de terra, pelo meio do deserto e lugares inóspitos.
Por experiência tínhamos nossa sobrevivência para
os cinco dias recomendados. No meio do caminho
passamos por um posto de gasolina chamado SOLITAIRE.
Dá pra imaginar o lugar? Uma coisa interessante
nesta região são as montanhas com o topo plano. São
formações rochosas imensas e que realmente parecem
mesas gigantescas. A mais famosa está na Cidade do
Cabo e se chama Table Mountain.
Toda
esta parte do deserto da Namíbia é fantástica.
Fish River, com seu grande canyon, Sesrien,
Sossuslei, com suas famosas dunas, Luderitz, com
suas minas de diamantes de aluvião e as cidades
fantasmas são visitas obrigatórias. Algumas coisas
chamam a atenção: em certo trecho de uma estrada
(muitos quilômetros) é proibido parar. Uma grande
quantidade de vidro moído é jogada no acostamento
e existem diversos guardas armados prontos para
agir. O problema é que o diamante nesta área é de
aluvião, ou seja, não é necessário minas para
achá-los. Eles estão à vista. Por isso a proibição
de parar.
Outra
coisa que chama a atenção são os cavalos que
vivem no deserto. Eles são pequenos e tem uma
necessidade mínima de água. Podem viver até cinco
dias sem beber nada. São chamados de
cavalos-camelo.
As
dunas de areia são famosas, inclusive já serviram
de locação para filmagens de um comercial
brasileiro para uma famosa marca de cigarros. Elas são
conhecidas por números, ou seja, Duna 4, Duna 17. São
muito altas, com até 300 metros de altura.
Assistimos ao por-do-sol do alto de uma delas e
aproveitamos para brincar, rolando duna abaixo.
Algumas vezes existem lagos secos e salgados entre
elas. É uma visão muito bonita, mas perigosa. É
muito fácil se perder entre estas montanhas de
areia e não saber para onde ir. Certa vez deixamos
nosso carro estacionado e andamos por cinco quilômetros
até alcançar um conjunto de dunas e um lago seco.
No caminho achamos um galho ressacado, mas com duas
flores brancas lindas, que mais pareciam pertencer a
um jardim e não a um deserto. Depois de muito andar
pelas dunas, subindo e descendo, nos perdemos. Só
depois de algum tempo conseguimos avistar grandes
pedaços de madeira fincados na areia que serviam de
guia até um ponto conhecido. Belo susto. Na volta
até o carro descobrimos que aquela região é
cercada por leopardos e dava para ver carcaças de
animais abatidos por eles. Com certeza foram os
cinco quilômetros, andando em areia fofa, mais rápidos
que já fizemos.
Nesta
viagem tínhamos uma preocupação que era sempre
manter a barraca absolutamente fechada. Ela era de
lona bem grossa, o que dava uma certa segurança
contra animais maiores, mas contra escorpião,
cobras e lagartos o melhor era manter o zíper
absolutamente fechado.
Em condições de deserto os animais se
tornam muito perigosos e peçonhentos, já que as
chances de sobrevivência nestas condições são
poucas. Até mesmo as árvores são espinhosas, como
forma de preservação. Assim todo cuidado era
pouco.
Depois
de alguns dias neste desertão seguimos viagem em
direção à África do Sul. Nosso próximo passo
era pegar um trem na capital, seguir até a Cidade
do Cabo e terminar nossa viagem por lá. Fomos em
direção à fronteira, mas já com uma ponta de
saudade destes três países incríveis, com seu
povo alegre e receptivo, seus animais selvagens,
seus desertos, montanhas, savanas e florestas. Mas o
tempo não para. Era hora de partir.
De volta a África do Sul
Cruzamos
a fronteira com a África do Sul e tudo parecia
diferente. Era um outro lugar. Diferente, mas com
beleza própria.
Depois
dos trâmites legais seguimos até uma pequena
cidade chamada Kurumã. Achamos um pequeno hotel,
nos hospedamos e saímos para lavar o carro (estava
realmente muito sujo depois de toda a viagem). Ali
era somente uma parada estratégica, já que não
daria para dirigir da Namíbia até Randburg.
Gente estranha existe em qualquer lugar e ali
não poderia faltar. Dois homens, do estilo que no
Brasill olhamos e sentimos um certo receio, nos
seguiram por um bom tempo. Desconfiados e usando da
nossa experiência de brasileiros, conseguimos nos
safar da dupla.Jantamos, dormimos e no dia seguinte,
bem cedo pegamos a estrada novamente. Chegamos no
meio da tarde a Buffalo Campers, devolvemos o carro
e ganhamos uma carona até a mesma pousada que havíamos
ficado quando chegamos à África do Sul. Era uma
sensação estranha estar a pé novamente. Sem
grandes programações, nos restou voltar à noite
ao Waterfront para jantar e nos despedir.
No
dia seguinte pegamos um táxi até a estação
ferroviária para seguirmos para Cape Town. O mais
estranho foi que no táxi, além do motorista, tinha
um segurança. Avisaram-nos que o centro de
Johanesburgo era extremamente perigoso, com muitos
bandidos, assaltantes e seqüestradores. Não
pagamos para ver e tão logo descemos do táxi
entramos na estação e fomos direto ao guichê
comprar nossos bilhetes. A estação era moderna,
com um movimento bem grande de pessoas que não
pareciam tão preocupadas com esta violência.
Esperamos
umas poucas horas para embarcar, já que o trem
estava atrasado. Enquanto isso observávamos as
pessoas, com trajes diferentes. Vimos Herero e
outras pessoas que certamente pertenciam a outras
etnias.
Fizemos
o embarque rapidamente e nos preparamos para uma
viagem de quinze horas. O trem, muito moderno,
oferecia todas as condições para uma boa viagem.
Na cabine tínhamos privacidade e um kit para
dormir, que nada mais era do que cobertores e
travesseiros. Isso foi necessário porque a noite
fez um frio insuportável.
Algumas
recomendações devem ser seguidas nesta viagem de
trem. Se sair da cabine, tranque a porta. Quando o
trem parar em alguma estação, feche as janelas.
Cruzando alguma cidade ou lugarejo, mantenha as
janelas fechadas. Tudo por questões de segurança.
Já ocorreram diversos roubos e violência,
inclusive é comum moradores jogarem pedras.
Chegamos
de manhã na Cidade do Cabo e fomos direto as
“Informações Turísticas”. Lá conseguimos
mapas, dicas e uma indicação de um hotel legal.
Era um flat, com quarto e cozinha. Foi a escolha
certa. Ficava bem localizado e o apartamento era
espaçoso.
A
Cidade do Cabo nos fez lembrar o Rio de Janeiro,
inclusive no que o Rio tem de pior. A violência.
Diversos meninos de rua estão sempre prontos para
agir. Se distrair, eles roubam. Não vimos nada e
passamos ilesos, mas, por experiência de
brasileiros, andávamos sempre atentos, evitando
algumas ruas e lugares em alguns horários.
Com
suas diversas praias, bares e restaurantes, a cidade
é muito alegre e receptiva. Aproveitamos para
caminhar bastante e visitar tudo o que era possível.
Lá também tem o Waterfront, só que em maior
escala e mais bonito. Existe um aquário incrível
que em uma de suas partes tem grandes paredes de
vidro, algumas voltadas para o mar. Diversos
restaurantes, bares, boates e uma marina completam o
complexo. Nos domingos acontecem feiras de
artesanatos e artistas de rua se apresentam. Bem
parecido com o Brasil.
Fomos até o Cabo da Boa Esperança e
conhecemos aquele que foi um marco na história da
navegação. Subimos a Table Mountain e conhecemos
um pequeno animal chamado “Dassii”, que dizem
ser um parente próximo do elefante. A diferença de
tamanho entre eles é enorme e mesmo olhando com
muito cuidado não conseguimos achar nada parecido
entre eles.
Depois
de ótimos dias nesta cidade era hora de terminar a
viagem. Com pena, novamente, pegamos um táxi até o
aeroporto e voltamos ao Brasil.
A
África ficava para trás, mas nos marcou muito. Foi
bom conhecer um pequeno pedaço do mundo que é
parte integrante da nossa história. Foi bom
conhecer a alegria sincera de um povo, que mesmo
sofrido, tem sempre um sorriso aberto. Foi bom ouvir
este povo cantando no final da tarde, não um canto
de lamento, mas um canto forte, vigoroso e alegre.
Foi bom sentir o carinho que eles têm por nós e
nos vêem como uma nação irmã, onde vivem
milhares de seus antecedentes. Foi bom ver toda a
exuberância de sua paisagem, os seus desertos, suas
savanas, seus animais livres e seus pássaros de
cores brilhantes.
Só não foi bom ver o Brasil perder da França.
Que vergonha!!!
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